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A REDAÇÃO MONOGRÁFICA: COMO AS IDÉIAS VÊM?

Escrever não é fácil, cientificamente menos ainda. Abstrair, comparar, ler, abordar, esquematizar e outros verbos que aparentam o monstro do lago Ness para o aluno, de fato, dão trabalho. Mas não seria gratificante se não fosse um desafio...

Como qualquer habilidade que se adquire – e sabemos que habilidade não é talento – escrever faz parte de um grande treino. O universitário deve escrever todos os dias o que lhe vier à mente e o que colocarem nela, de forma crítica e reflexiva.

Escrever é não deixar a bola de frescobol ir muito longe...Tem gente que se perde e não dá foco ao que precisa realmente escrever. Já ouvira certo professor aconselhar aos alunos do curso de Mestrado a escreverem todos os dias. Ou seja, terem o hábito do diário. De fato, muitos profissionais aconselham essa atividade. E ela é ricamente produtiva, além de fazer parte do treino da escrita.

Escrever uma monografia é de imensa responsabilidade. Por mais que você contrate uma assessoria, você é o maior responsável pela sua apresentação monográfica. À assessoria compete apenas auxiliá-lo e não deixá-lo sozinho no jogo de frescobol... Afinal, você é o dono da bola e da raquete.

O fato é que se escrever tivesse segredo, de Machado de Assis a Paulo Coelho seríamos todos escritores famosos. Mas não é essa a grande realidade. Escrever é um processo de aquisição habilitativa como qualquer outro. Não há regra cabal.

Para escrever a redação monográfica, algumas orientações básicas para você, aluno:

•  Esqueça a linguagem prolixa

Alguns alunos escrevem, escrevem, escrevem, escrevem e não dizem nada. Não há ponto, conectivos ou algo que o valha. A escrita prolixa elimina a possibilidade do seu orientador e da banca entenderem a mensagem que você quer passar. Se o seu período estiver logo, pode repetir o sujeito.

•  Esqueça o parágrafo blocão

Tem alunos que escrevem, escrevem, escrevem e não fazem muitos parágrafos. O parágrafo é a unidade do texto e em cada um deles há um tópico que é a sua idéia central. Esteticamente, a monografia fica similar à Muralha da China: a gente enxerga apenas uma continuidade de linhas. Dê um refresco ao seu texto: construa parágrafos se a idéia central dele mudar.

•  Esqueça de ser um “sabe-tudo”

Porque de fato, em uma elaboração científica, NINGUÉM é sabe-tudo. Se você escreveu, escreveu, escreveu, ainda que a sua linguagem e a pesquisa esteja amplamente clara e objetiva, ela pode estar incoerente, ou seja, sem concisão. Cuidado para os olhares apurados! Eles precisam entender a sua escrita, Por isso, antes da apresentação sempre dê uma lida e enxugue o seu texto.

•  Não se esqueça dos olhares apurados!

Qual é a melhor forma de você saber se passou a mensagem precisamente? Pedindo ajuda ao seu amigo para ler a sua escrita monográfica. Mas não escolha qualquer amigo. Escolha o amigo mais chato, mais crítico e de preferência aquele que obteve o CR mais alto em todo o curso universitário. E se ele não compreender algum trecho da sua escrita, acredite. Ele pode ser útil a você.

•  Esqueça de começar pelo começo

Quem disse que a sua monografia ou o esboço da sua escrita monográfica deve começar do começo. A redundância foi proposital para mostrar que, apesar da elaboração do projeto, quanto mais você pensar para esquematizar a escrita monográfica melhor.Isso demonstra a sua desenvoltura no assunto e que está confiante na escolha.

•  Esqueça o orgulho científico

O meu mestre, Evanildo Bechara, em uma de suas aulas certa vez disse: “Se deseja pesquisar, você deve crer que nunca saberá nada”. Esse é o princípio. Têm muitos professores que se enlevam nas suas pesquisas e excesso de profissionalismo. Mas se deseja ser um verdadeiro acadêmico e pesquisador esqueça que pode vir a ser uma autoridade no assunto. A sua escrita deve ser humilde: Conclui-se que, Entende-se...

•  Esqueça o impressionismo

Para os grandes pesquisadores, isso não passa de estilo artístico. Você, na qualidade de pesquisador, deve expressar e não achar lindo tudo o que fez. Humildade na escrita sempre. Um princípio da pesquisa e da leitura decorrente é certo: o que você pensa hoje, alguém pensou há tempos atrás e esse alguém não pode ser desconsiderado.

Por último, para finalizarmos esse escrito: use o dicionário. De preferência, com o corpus mais atualizado e um dicionário científico da sua área.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MARTINS, GA & LINTZ, A. Guia para a elaboração de monografias e trabalhos de conclusão de curso. Editora Atlas, 2000 (exemplar do professor)