COMO DEFINIR O TEMA: ENTRE O SUOR E O CALAFRIO DA TENSÃO PRÉ-MONOGRAFIA
“Para principiar mais vale que nos sirvamos das que apresentam espontaneamente aos nossos sentidos (...) do que procurar outras mais raras e complicadas.
Parecia-me que poderia encontrar muito mais verdade no raciocínio que cada um forma sobre os assuntos que para si são importantes.” (Descartes)
O autor racionalista nos fala de pontos de vista interessantíssimos. Mas um deles é primordial e já foi mencionada em nossa seqüência de artigos: escreva sobre o que VOCÊ gosta, tem vontade de pesquisar, cultiva uma curiosidade. Ir pela temática mais fácil nem sempre é o melhor caminho. E seguir o raciocínio coletivo também não é a trilha.
Como escolher o tema?
O que escrever?
Perguntas deveras angustiantes. Mas na escrita monográfica a atração pelo objeto de estudo deve ser o ponto de partida. Gostar do que se pesquisará sem excessos intelectualóides e humildes, este sim é o caminho. O segundo caminha é a correlação da leitura. Na realidade, a escrita monográfica é uma junção de tarefas que devem ser feitas com muito gosto. Aprecio muito os alunos que, antes de procurarem assessoria, coletam, estudam, lêem e escrevem e passar ao pesquisador a etapa vivenciada.
Não há atração por objeto de estudo ou definição deste, se o aluno não se voltar para a sua experiência pessoal. Não digo profissional. Mas olhar-se antes da definição temática é importante. O aluno DEVE ressignificar suas experiência de acordo com o objeto de estudo. Por quê? O estudante universitário não chega a uma etapa de escrita monográfica sem conhecimento prévio, o que possibilitará o aprofundamento do tema.
A excelência de pesquisa também é importante. Para definir a temática o aluno deve ter lido bastante, amadurecendo o senso de seleção das referências que serão utilizadas ao longo do trabalho monográfico.
O aluno deve buscar a inserção em uma atividade empírica, experimental, extracurricular. Essas conjecturas falam por si mesmas. A reflexão a partir do que se observa é um ponto que enriquecerá o seu trabalho monográfico.
Muitas vezes você ouvirá: “Fuja do senso comum!”. Eu digo: passe pelo senso comum, pois sem ele não terá o real apuro do que é a exposição científica, como lidará com ela, como você alocará o seu ramo de pesquisa e definirá o limite da temática com outras áreas. Os melhores temas nascem de logradouros comuns e cotidianos, tais como:
Experiências pessoas;
Material escrito (periódicos);
Reflexão empírica;
Conversas com amigos e professores;
Observação direta de fenômenos;
Internet;
Crenças, credos, pressentimentos;
Senso comum;
Encontros, congressos, seminários, colóquios;
Analogia com outros campos científicos;
Curiosidades;
Teorias.
Hoje, na Era do Conhecimento, na Globalização e aproximação de pessoas de diversos locais, ramos, especialidades, a informação, a idéia do que ser pode escrever não é de tão difícil escolha. Você poderá ter dificuldade em “garimpar” as informações porque brutas não se adequarão ao enfoque científico, isso sim. Mas a todos os dias surgem novidades, pesquisas, informações, filmes, que podem ser aproveitados como idéias para a sua iniciação.
Eu costumo dizer aos meus alunos que a atualidade nunca foi tão rica, mas para entendê-la nada melhor do que os preceitos dos grandes pensadores filosóficos. Tudo está em Platão, Aristóteles, Sócrates, Hipócrates. Quer ter um verdadeiro encontro ou um encontro verdadeiro com a temática, a qual você gostaria de abordar e nunca soube? Comece pela filosofia...
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MARTINS, GA & LINTZ, A. Guia para a elaboração de monografias e trabalhos de conclusão de curso . Editora Atlas, 2000 (exemplar do professor)
FILHO, DP & SANTOS, J.A . Apresentação de trabalhos científicos: Monografia – TCC – Teses – Dissertações. São Paulo: Futura, 2000, 140 páginas. (exemplar do professor) |